

quinta-feira, 16 de novembro de 2006
Marcadores: academia livre, micropolítica...eu acho que a vida cotidiana nas sociedades contemporâneas é como um deserto, um imenso deserto árido e inóspito que cada um atravessa mais ou menos como pode, com as condições de que dispõe. Os movimentos moleculares são como os antigos tuaregs, que atravessam o Saara com suas caravanas estabelecendo contato entre povos distantes e buscando abrigo nos oásis. Eles são os novos tuaregs, cruzando esse deserto em busca de novos oásis de prazer, fazendo contato com outras caravanas. Já os partidos são como as grandes empresas capitalistas, com seus projetos de construção de imensas represas para irrigarem o deserto e transformarem tudo. Eu gosto particularmente dessa metáfora porque eu andei sabendo recentemente que os ecologistas descobriram que a visão que se costumava ter do deserto como um lugar morto, onde não existe vida, é completamente falsa. Existe todo um meio ambiente próprio do deserto, com suas formas de vida próprias. Portanto, irrigar o deserto é também uma espécie de desastre ecológico. Talvez os grupos minoritários estejam mais corretos percorrendo o deserto da vida cotidiana em suas caravanas, como novos tuaregs, sem se preocuparem com obras de irrigação e represas...
– um tal de Marcus do Rio, pirando na batatinha. (do livro Micropolítica: cartografias do desejo)















2 Pitacos:
Que o deserto tem tanta vida quanto qualquer outro lugar na verdade é constatação bem antiga; quanto à questão da irrigação, talvez tenha sido uma tentativa (frustrada?) de fazer uma metáfora com... caceta, deu nó!
não é uma metáfora. os projetos de partidos são exatamente como projetos irrigação, no melhor dos casos, e como represas, na maioria. Isto é: uma espécie calculada de desastre.
Dois livros: Duna, de Frank Herbert, e Micropolítica: cartografias do desejo, da Suely Rolnik (esse livro é lindo, não é livro mas um catado de conversas de onde tirei essa fala).
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